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Joaquim Caetano da Silva

     Joaquim Caetano era filho de Antônio José da Silva e Ana Maria Floresbina. Ainda adolescente vai estudar em França, formando-se em medicina pela Faculdade de Montpellier em 1837.
 
     Em 14 de novembro de 1851 foi nomeado pelo imperador Pedro II do Brasil encarregado dos negócios brasileiros na Holanda, onde foi em 1854 o cônsul-geral. Durante sua estada diplomática conduziu em Haia as negociações para a delimitação das fronteiras com o Suriname (1853), que somente em 1906 teriam uma solução definitiva.
 
     Desde o século XVIII o território brasileiro passou a ser delimitado, principiando com os Tratados de Madri (1750) e Santo Ildefonso (1777), que trataram da separação das terras espanholas das portuguesas na América. Em 1898, entretanto, ainda restavam em aberto importantes confrontações, época em que o Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Júnior) foi encarregado de resolver a questão do Amapá.
 
     Em 1900, apoiado nos subsídios de Caetano da Silva, o barão do Rio Branco obteve em foro internacional, a vitória que selou em definitivo o problema das fronteiras nacionais com a Guiana. “Sobre os livros de Joaquim Caetano da Silva eu sustentei os direitos do Brasil, na questão do Amapá”, registrou Rio Branco nos anais deste conflito.
 
     A sentença arbitral, de 1º de dezembro de 1900, foi favorável ao Brasil que graças a história e a diplomacia dos brasileiros, sem derramamento de sangue, pela arbitragem ou pelo acordo direto, estabeleceram as nossas fronteiras com base em documentação cartográfica, na história e no principio do "uti possidetis", ou direito de posse, consagrado no Tratado de Madri.
 
     Durante dez anos J. Caetano trabalhou em arquivos franceses e holandeses, resultando deste trabalho o livro L'Oyapoc et L'Amazone. Nos anos de 1853-1854 Joaquim Caetano estava pesquisando no acervo no Arquivo Real em Haia (Algemeen Rijksarchief), coligindo documentos de interesse histórico brasileiro dos fundos do Cartório dos Estados Gerais das Províncias Unidas. Nesta oportunidade, fez copiar uma coleção com versões nas línguas holandesa e francesa, além de um tomo contendo manuscritos em latim que perfazem o total de oito volumes cobrindo o período de 1623 a 1657.
 
     Nos documentos encontram-se nota do punho próprio firmada por Joaquim Caetano da Silva declarando a data de deposito na Legação Imperial do Brasil em Haia, 16 de novembro de 1853. Em junho de 1861 estes documentos foram remetidos de Paris para o Ministério dos Negócios Estrangeiros no Rio de Janeiro que por sua vez os encaminhou para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro onde hoje se encontram.
 
     Parte dos documentos para história do Brasil coligidos na Holanda por Joaquim Caetano foram publicados em 1945 pelo Serviço de Documentação do Ministério da Saúde na obra Documentos Holandeses. Um índice de consulta destes fundos foi publicada no Catálogo da Exposição de História do Brasil, Tomo I, com introdução de José Honório Rodrigues e Apresentação pelo Dr. B.F. Ramiz Galvão. A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro guarda também uma cópia incompleta destes documentos e o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico pernambucano possui um índice manuscrito, feito a pedido de José Hyginio Duarte Pereira para ser utilizado por ele em sua missão na Holanda. Verifica-se neste manuscrito, além das notas de José Hyginio, abundantes referencias cruzadas da lavra de José Antônio Gonçalves de Mello.
 
     As cópias de J. Caetano abrangem o período de 1623 a 1655 e acham-se distribuídas por oito volumes. Tanto no primeiro quanto no terceiro e seguintes até o sétimo encontram-se escritos de oficiais holandeses e representantes da Companhia em Pernambuco, dirigidos aos Altos Poderes da Companhia das Índias Ocidentais e aos Estados Gerais dos Países Baixos. O segundo volume contém as Cartas do Statthalter João Mauricio de Nassau aos Estados Gerais. Estas cartas foram publicadas com o título Cartas Nassovianas na Revistas do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano volumes LVI e LXX. O volume oito traz Cópias de Assentos, (Aktenstücke) em latim e português.
 
     No Catálogo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB estes documentos aparecem sob a referencia 1.3 -24/31 Cópias authenticas executadas com bastante cuidado e esmero em 1853 e 1854. Constam de 8 tomos in-fol. "Documentos para a História do Brasil coligidos e copiados no Arquivo Real de Haia, terminados em 1853, pelo encarregado de Negócios do Brasil em representação brasileira em Haia, em Holandês, tradução em francês e com índice cronológico em português". Contém ofícios, relatórios, atas das sessões do conselho supremo do Recife, Memórias de campanha das guerras, representações das câmaras, entre outros. Apenas um dos volumes contém respostas do Conselho dos XIX. Informa ainda que a coleção cobre o período de 1623 até 1655.